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05/04/2008

              Outro dia, quando eu chegava à faculdade, me deparei com dois guris passando na frente do carro, fazendo gracinha e claro, atrapalhando o trânsito. Pensei comigo, dentro dos carros as pessoas parecem desaparecer, para quem está pedestre os carros parecem ser apenas coisinhas que andam por aí, meras máquinas que passeiam pelas ruas. Pensei em escrever sobre isso no blog, mas tinha deixado pra lá.

              Veio-me à cabeça agora e cá estou escrevendo. Nesse mundo de internet, carros, motos, máquinas e mais máquinas, as pessoas estão esquecendo-se da existência das outras pessoas, passam por elas e as enxergam como mais uma coisa do dia-a-dia, assim se esquecem que essas coisas tem sentimentos, vida, assim como elas.

              Talvez seja esse o motivo de tanta violência e desprezo aos sentimentos alheios, o egoísmo.Se cada um parasse de olhar apenas para o seu próprio umbigo, as coisas dariam uma melhoradinha... não falo em caridade, ajudar os pobres (isso seria bom também), mas apenas enxergar o outro como um ser vivo que pensa, sofre, ama...apenas um humano.

 

 

 

"Tenho Vontade De Rasgar O Peito E Estourar O Crânio Quando Vejo Que Significamos Tão Pouco Um Para O Outro" (Goethe) 


Escrito por Lay às 11h46
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04/04/2008

Tristezas D'alma

 

 

Minha' alma é triste, como é triste o vento

Que num lamento pelo bosque passa!

É como a lua que nos céus vagando,

Vai distilando luz tristonha e baça!

 

Minha’alma é triste, como é triste a vida

De ave ferida, sem arrimo e pouso;

É como a nuvem que no etéreo,

Qual monstro aéreo vaga sem repouso!

 

Minha’alma é triste, com é triste o rio

Que trêdo e frio sonolento, corre;

É como o escravo que, em sangrento leito,

Arfando o peito, pouco a pouco, morre!

 

Minha’alma é triste como é triste o mar,

Sempre a espumar de raiva não contida;

É como a virgem que, chorando a sorte,

Procura a morte no zênite da vida!

 

Minha’alma é triste, como é triste o vento

Que num lamento pelo bosque passa!

Se choras, minha lira, também sinto,

Já de absinto se me encher a taça!

 

Luiz Lopes Sobrinho

 

(Bisavô que eu gostaria de ter conhecido)


Escrito por Lilium às 11h30
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